“Amanhã é dia de nascer de novo. Para outra morte. Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias, as mentes exaustas de bad trips. Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro.” Caio F. Abreu
theme por libertando-te; por favor, não copie ou disponibilize.
Talvez eu até esteja errada, mas que se dane. Se uma pessoa não tem paciência nem pra conquistar minha confiança e afastar meus medos, o que eu posso esperar então? Sou quebra-cabeça de 500 mil peças, quem não tiver capacidade, tenta um jogo mais fácil. Eu supero e agradeço.
É quando a noite chega que tudo tende a piorar. Porque a noite tem isso de fazer você reviver tudo o que tentou deixar encoberto embaixo do tapete durante o dia inteiro. De noite é quando tudo desaba e você finalmente percebe que tudo o que tem feito não passa de besteira e que, de uma vez por todas, vai mudar sua vida – ou pelo menos irá fingir que ela será melhor. Mas com o tempo você se acostuma com esses repentinos transtornos e começa a pôr em sua cabeça que uma hora vai melhorar; porque uma hora tudo melhora. E vai perceber que já não é mais sobre perda que você escreve todo o dia. Já não é mais sobre aquela angústia interminável que dá só de saber que os laços que nos unem podem desatar-se. É sobre a falta. Falta de tudo o que um dia tivemos e que hoje não passam de lembranças. É sobre lembrar que ele usa pasta de dente sabor menta, ou então que a cor favorita dele é verde-musgo, que ele ama cantar enquanto está no banho e de como o cabelo dele fica brilhoso quando refletido à luz do sol. É sobre saber que o único fio que nos ligava foi se rompeu e fez com que nos separássemos aos poucos, sem nos darmos conta do que estava acontecendo. É sobre sentir aquela falta irreparável, mas que com o tempo se torna suportável. Porque a dor não dura para sempre, mas faz com que fiquemos com as malditas memórias presas a nós. Não é mais sobre aquela necessidade louca de ouvir sua voz, ou então de receber uma mensagem sua (até porque isso se tornou meloso demais). É sobre aquele rombo gigantesco que ficou em mim quando percebi que o “nós” já não existia. O medo de perder sempre nos consome, mas é o de saber que o seu dia será incompleto sem ele que faz tudo piorar. Porque você sabe que nada vai ser como antes e mesmo assim terá de aceitar que uma hora isso aconteceria. E aos poucos não será mais sobre perdas, tampouco sobre você; porque você não passará de um pontinho preto em meio a uma imensidão de neve. E quando não for mais sobre você, nem sobre meus medos em relação a nós ou então sobre perdas, será sobre mim. Sobre mim e a coragem assustadora de encarar um coração vazio e pesado, mas que bate incessantemente com o propósito de manter viva a única coisa importante para mim: eu mesmo.